Sobre a coleção

Sobre a coleção

O Instituto Universitário das Ciências da Saúde está a criar uma coleção de esqueletos identificados atual. A coleção, que servirá de referência para a identificação de cadáveres e análise de trauma no âmbito da Medicina Legal, estará disponível a antropólogos, médicos legistas e investigadores de todo o mundo.

Recorrentemente, os peritos forenses têm de identificar cadáveres exclusivamente através das ossadas e dos dentes, devido à falta de tecidos moles que permitam o reconhecimento através de fotos ou de impressões digitais.

A identificação com base no esqueleto é um processo trabalhoso e cujo sucesso depende da qualidade dos métodos utilizados pelos profissionais de Antropologia e Medicina Dentária Forenses. Muitos desses métodos são comparativos, isto é, usam valores de referência baseados em coleções de ossadas identificadas (ou seja, coleções em que são conhecidos os dados biográficos dos indivíduos que as compõem), sendo que, atualmente muitas dessas referências provêm de estudos realizados noutros países.

O mesmo pode ser dito no que concerne às características dentárias. De facto, através dos dentes é possível identificar-se vários parâmetros essenciais para o estabelecimento da identidade do indivíduo, designadamente estimar a ancestralidade, o sexo, a idade e a estatura. Porém, tal qual como nos elementos esqueléticos, muitos dos valores de referência atualmente utilizados têm por base estudos antigos ou realizados noutras populações.

As ossadas utilizadas provém de cemitérios urbanos, onde as sepulturas têm um caráter temporário e os cadáveres são exumados ao final de algum tempo. Por diversas razões, muitas dessas ossadas não são reclamadas pelos familiares, acabando por ser destruídas e perdendo-se para sempre. São essas ossadas que serão estudadas, ganhando um novo relevo e desempenhando um papel essencial ao serviço da Ciência

A principal motivação deste projeto é a relativa falta de amostras de referência atuais em Portugal e noutros países, bem como a oportunidade de testar os métodos atuais e perceber se funcionam bem e como os podemos melhorar

A recolha está a ser realizada no cemitério do Prado do Repouso e conta com a participação da Câmara Municipal do Porto.

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